- A maneira como estamos tratando
os problemas que enfrentamos com este contrafluxo nas cidades
não poderia estar mais equivocada. Assorear rios não
os fará parar de transbordar; alargar vias não
fará o trânsito fluir; aumentar a linha do metrô
não fará o transporte melhorar. Nada disso adiantará
por muito tempo, afinal, a cidade continuará crescendo,
exigindo mudanças estruturais. A solução
não é parar de construir, mas construir e transformar
o meio de maneira inteligente e crescer adequadamente. Para
tal façanha, não é necessário fazer
nada espetacular e mirabolante. É necessário apenas
usar aquela que talvez seja a mais difícil faculdade
a ser utilizada pelo ser humano: o discernimento.

fragmento de fotografia: Nelson Kon
Sabendo disso, por que não encaramos a
questão com seriedade? Porque é trabalhoso demais
e exige muito esforço? Ou será porque morreremos
daqui a alguns anos, não estaremos mais aqui e, portanto,
isso não será mais da nossa conta? Quantas e quantas
vezes ouvimos essa frase diante das mais diversas questões?
Muitas, não? Mas se todos pensassem assim já teríamos
entrado em colapso há muito tempo. Que sorte a nossa, então,
em haver gente que pensa diferente! Pois é, agora que nós
somos a "bola da vez", podemos tentar pelo menos adiar
esse colapso para dar tempo aos outros que virão a nossa
frente, para que eles tentem, por sua vez, ajustar as coisas,
ou ao menos adiar esse possível colapso mais um pouco para
que outros tentem evitá-lo ainda mais à frente.
Por enquanto, todos podemos adotar alguma posição.
Mas não é necessário sair às ruas
e fazer protestos, é a atitude e a postura mental diante
do que nos cerca que serve como um primeiro passo. É essa
mesma relação com o nosso entorno imediato que atua
além do nosso alcance de percepção. Analisar
nosso próprio comportamento não é algo fácil.
Podemos descobrir que fazemos muitas coisas com as quais não
concordamos, e que muitas vezes prejudicamos o ambiente sem perceber,
não raro por negligência e comodismo.
O processo de mudança pode não
ser fácil para a maioria de nós, mas o resultado
é sempre um ser humano mais consciente.
Alguém consciente de sua existência
como ser vivo, que tem necessidades ligadas a toda uma sociedade,
ao meio onde vive e ao Planeta, inevitavelmente passará
a respeitar o meio ambiente e tudo que o envolve, sabendo que
seu ato influencia principalmente ele mesmo. Afinal, não
conheço ninguém que deseje beber 5 litros de água
de uma só vez.
Omar Dalank
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| Omar
Dalank é Arquiteto Urbanista e
professor do ensino superior em São Paulo.
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